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Terça-Feira, 01 de Novembro de 2016, 20h12   (Atualizada 01/11/2016 às 20:12)

O UBER E AS MUDANÇAS (NECESSÁRIAS) NA SOCIEDADE

Livre mercado

Aquele que faz a colheita no verão é filho sensato, mas aquele que dorme durante a ceifa
é filho que causa vergonha. (Provérbios 10:5)

 

A sociedade, em qualquer época, é impulsionada pela criatividade, característica inerente natureza humana e, em harmonia com o livre mercado. A livre concorrência eleva a exigência do consumidor e exige, do fornecedor, melhores serviços e a constante novidade nos produtos. E, esta é uma das diferenças fundamentais entre o capitalismo sem as intervenções ideológicas do socialismo com o socialismo travestido de capitalismo, onde há a intervenção do Estado, até na forma de pensar e de gerir negócios.

 

Enquanto, no sistema socialista, ajustam seus desejos ao que o Estado autoriza e deseja, no sistema capitalista buscam-se melhoria dos produtos, inovar soluções, facilitar a vida de cada cidadão, que é um consumidor em potencial e livre para fazer suas próprias escolhas. Há uma interação, não controlada pelo Governo, entre quem compra e quem vende serviços e produtos. Desta forma, portanto, quem captar melhor as necessidades e os desejos humanos terá mais chances de se manter no disputado mercado. Essa interação é a força motora das inovações, das adaptações e das invenções humanas. A intervenção estatal anula a interação, minando toda a nossa criatividade.

 

Nesse contexto é que a tecnologia dá saltos fantásticos, já no século XIX, como força motriz das mudanças constantes no sistema que convencionou-se chamar de capitalista. A tecnologia nos transporta do presente ao futuro cada vez mais rápido e deve carregar consigo valores morais e necessidades reais da sociedade.

 

As mídias sociais, os aplicativos utilizados nos nossos telefones, são exemplos dessas inovações. Em um clique temos o mundo nas telas dos nossos aparelhos. A todo instante novos produtos e serviços são criados. O UBER e similares, por exemplo, são algumas destas novidades.

 

O UBER é um aplicativo surgido no Vale do Silício, na Califórnia (berço das maiores inovações tecnológicas) e pretende fornecer aos usuários um motorista particular a preços acessíveis e com um serviço de alta qualidade. A empresa exige, por exemplo, que seja disponibilizada água aos clientes em todos os carros. Dependendo do serviço selecionado, os motoristas podem também fornecer bebidas energéticas, doces, etc. No Uber, a comunidade é a rainha. Isso é importante para construir um relacionamento com os clientes e motoristas.

 

Esta é, sem dúvida alguma, uma forma nova de locomoção nos grandes centros, uma alternativa que permite ao consumidor escolher entre um modelo mais simples, como uma carona solidária, ou, no topo da lista, optar por um carro luxuoso com serviço de motorista particular, tendo como única exigência, a instalação do aplicativo em seu celular.

 

Óbvio que esta revolução no sistema de transporte nos centros urbanos gerou uma enorme polêmica e várias cenas, lamentáveis, de violências gratuitas. Taxistas bradam contra uma suposta concorrência desleal, usuário reclamam dos péssimos e caros serviços prestados pelos táxis, alegando, ainda, a pequena oferta de táxis em horários de pico, finais de semana e noturno.  O UBER, por seu lado, argumenta que os motoristas que compartilham seu automóvel pelo aplicativo passam por um cadastro que engloba as imposições do poder público local e vida pregressa no volante, além de exigências do tipo de automóvel a ser cadastrado.

 

As alegações de que não há segurança no serviço UBER cai por terra quando sabemos que há um registro de cada viagem e seu trajeto nos servidores da empresa, permitindo identificar motoristas e passageiros. Além disso, o pagamento do serviço é feito exclusivamente por cartão de crédito e o motorista recebe pelo seu trabalho diretamente na sua conta bancária. A qualificação obrigatória, após a corrida, do motorista e do passageiro cria um adendo positivo, pois exige que as duas partes na cadeia de serviços tenham um comportamento honesto e de cordialidade, sob pena de exclusão do sistema.

 

Entendo que o Poder Público não deva interferir no setor privado e tampouco impedir a livre iniciativa. Os prestadores de serviços, UBER ou similares, devem obedecer às leis do nosso país, mas isso não significa proibições por parte do Estado, sob pena de prestarmos um desserviço ao progresso e ao capitalismo.

 

Nos últimos meses tenho acompanhado diversas notícias divulgadas pela imprensa envolvendo discussões sobre o tema. Há, na classe política, quem defenda, equivocadamente, a proibição do UBER. No Brasil, um cidadão não pode ser impedido de exercer um trabalho honesto e lícito. Logo pensei, só ocorre isso no Brasil: um país onde não se pode trabalhar e inovar. Estou tratando sobre este tema desde fevereiro do ano corrente. E, tenho estudado para tratar o assunto com justiça. Uma das conclusões é pela liberação do serviço.

 

O lucro sadio proveniente da livre iniciativa é desejável e defendido na Constituição do Brasil desde o seu artigo 170 até o 192. Além disso, temos nas Escrituras Sagradas em vários trechos do Velho e do Novo Testamento a defesa do trabalho e da livre iniciativa. Cito como exemplos: 2 Tessalonicenses 3:1-18, em Provérbios 22:29, dentre tantos.

 

Este é o momento de aceitar o novo, ainda que cause estranheza em alguns. Afinal, lembremos de uma notícia publicada em 25 de agosto de 1911, d’O Estado de São Paulo que relata que os cocheiros que viviam de transportar passageiros da estação da Luz estavam recebendo com hostilidade os primeiros táxis que tentavam fazer ponto na porta da estação:

 

“Os cocheiros dos carros de praça que estacionam na estação da Luz não acolheram bem a concorrência que lhes vai fazer a nova companhia de Auto-transporte (…). No primeiro dia em que ali foram distribuídos vários automóveis, criou-se logo uma corrente de antipatias à nova empresa, e os cocheiros viram na conduta daquela empresa uma concorrência desleal e perniciosa”.

 

Segundo o Estadão, os protestos dos cocheiros foram bastante violentos, com tumulto e “grande correria”. Agora, cem anos depois, a violência não deverá ser a resposta dos taxistas ao aplicativo, ela não impedirá as novas tecnologias. E, não estamos diante da extinção do serviço de taxi no Brasil, nem no mundo, a compreensão e a busca de oferta de melhores serviços e preços competitivos deverá, em contrapartida, ser o fruto dessa árvore do desenvolvimento, que alimentará as próximas gerações. A melhoria na prestação dos serviços é um compromisso de todos: taxistas e “uberistas”.

 

 

Victório Galli é Mestre em Teologia, Professor Universitário e Deputado Federal (PSC-MT)

Fonte: Victório Galli
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